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Não é que o Doutor Google tenha que substituir os médicos reais mas quem nunca pesquisou neste buscador os sintomas das doenças, mesmo as mais corriqueiras?

A BBC News Brasil apresentou a diversos médicos alguns testes sugeridos nos mundos online e offline e reuniu aqueles que, na opinião dos especialistas, são verdadeiramente úteis e têm embasamento técnico – alguns deles, inclusive, são usados nas próprias consultas.

Contudo, um alerta importante: todos os médicos entrevistados citaram as palavras “rastreio”, “rastreamento” ou “screening” para definir esses testes. Ou seja, eles estão muito longe de ser um diagnóstico avaliado por um profissional, servem apenas para fazer os pacientes ficarem mais atentos a possíveis sintomas que, aí sim, devem ser levados ao médico.

Isto porque a generalidade e simplicidade dos testes podem levar a coisas como falsos positivos ou negativos, ou ainda à confusão de sintomas que podem
refletir doenças diferentes. Por isso, a consulta com um médico é fundamental para que o rastreio se transforme em um diagnóstico.

Por outro lado, estas checagens “autoadministradas” podem ser uma forma de cada um de nós registrarmos um histórico – e de ficarmos mais conscientes da nossa própria saúde.

Vamos aos testes!

  1. Desenhar relógios
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Foto: Kelsey Vere / Pixabay

Este teste pode despertar o alarme para alterações importantes na capacidade cognitiva. É bom a pessoa testada estar acompanhada, de preferência.

Ela deve desenhar um relógio em uma folha de papel. Primeiro o círculo, depois os números na ordem correta; e por último os ponteiros – há diversas versões para qual horário eles devem apontar, mas o neurologista Fabio Porto, do Hospital das Clínicas de São Paulo, recomenda 2h45 ou 11h10.

Também há pelo mundo diferentes estudos e versões sobre como os resultados devem ser medidos mas, em geral, um relógio “anormal” deve chamar a
atenção – quando aparece, por exemplo, com números repetidos ou fora de ordem; ponteiros fora de lugar; ou horário diferente do pedido.

Demorar para desenhar, dificuldades na compreensão da instrução ou na execução podem indicar alterações na memória e cognição – principalmente com o envelhecimento, quando essas alterações se manifestam mais e podem ser sintomas de Alzheimer e demência.

“É um teste que envolve as funções visuais e também as funções do lobo frontal (uma parte do cérebro), como planejamento, raciocínio lógico e abstração”,
explica Porto.

“Inicialmente, o ideal é que o desenho seja espontâneo. Se a pessoa não conseguir, outra pode pedir que ela copie um desenho já feito. Se a função visual estiver ruim, a cópia também ficará ruim; se a parte frontal estiver mais debilitada, possivelmente a cópia não ficará ruim.”

2. Sinal de cacifo

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Ilustração: Cecilia Tombesi/BBC

A retenção de líquido pode ser resultado de situações cotidianas, como ficar muito tempo em pé; do uso de tratamentos hormonais, como anticoncepcionais; ou ainda de condições de saúde mais sérias, como insuficiência cardíaca e cirrose.

3. Refil capilar nos dedos

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Ilustração: Cecília Tombesi/BBC

“Pessoas com doenças vasculares periféricas têm esse mecanismo um pouco mais lento”, exemplifica o cardiologista Guilherme Renke, do Instituto Nacional de Laranjeiras (INC).

Um “refil” mais lento pode indicar ainda desidratação ou choque, inclusive em crianças.

“A vascularização (irrigação) dos dedos ocorre em microcapilares. Quando a gente pressiona o dedo e ele fica mais claro, estamos expulsando o sangue; então, quando soltamos, a velocidade com que esse enchimento volta indica o quanto uma pessoa é mais saudável do ponto de vista vascular”, explica.

4. Contar pintas e manchas

Levando em consideração um consenso de que cerca de 100 nevos (pintas ou sinais na pele de tamanho, cor e saliência variadas) pelo corpo indicam uma
maior predisposição à doença, os autores de um estudo publicado em 2015 no periódico British Journal of Dermatology procuraram alguma parte do corpo que pudesse representar esse número em uma escala menor – para que pacientes não precisassem gastar muito tempo e esforço fazendo uma busca de dezenas de marcas em toda parte.

Considerando um grupo de milhares de mulheres inglesas e brancas, os cientistas definiram que a presença de 11 nevos (com no mínimo 2mm de diâmetro) no braço direito é um indicativo de maior risco deste câncer – e, logo, da necessidade de mais precaução, como uso de protetor solar e consultas com especialistas.

O dermatologista oncológico Aldo Toschi, do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), afirma que este tipo de busca pelo próprio paciente ajuda na compreensão dos riscos da doença pelos leigos e pode fazer com que estes cheguem mais cedo ao especialista caso haja algum motivo de desconfiança.

Mas, claro, esta tarefa caseira não deve levar nem a um relaxamento no caso daqueles que não verificam tantos nevos, nem a um desespero para os que encontram.

“É fundamental considerar outros aspectos, como o histórico familiar da doença, a exposição ao sol e o tipo de pele, já que pessoas com peles, cabelos e olhos claros têm maior risco”, explica.

Ele diz ainda que, no consultório, é comum que especialistas avaliem também o número, concentração e características de marcas na pele em partes do corpo como as costas, os ombros e as mãos. Com a experiência, estes profissionais não precisam fazer contagens exatas, mas estão acostumados a ficar alertas com nevos assimétricos, com bordas irregulares e cores variadas em uma mesma mancha.

Em seguida, essa análise no contato direto com o paciente é aprimorada com exames como a dermatoscopia e mapeamento corporal.

Toschi acrescenta ainda que, hoje, os médicos tendem a ficar mais alertas com manchas com a partir de 6mm de diâmetro.

5. Autoexame

No Google Trends, que capta as principais pesquisas no buscador, o autoexame mais procurado no Brasil é de longe o de mama – um sinal do sucesso de campanhas de conscientização pela prevenção do tipo de câncer mais incidente nas mulheres no país depois do de pele não melanoma.

Mas é importante lembrar que a maior parte dos nódulos e secreções que podem ser encontrados nessa busca não estão necessariamente relacionados ao câncer.

Recomenda-se que o autoexame de mama seja feito mensalmente, depois da menstruação, em frente ao espelho, em pé e depois deitada – e, claro, sem roupa, pelo menos na parte de cima do corpo. Em 2018, a BBC News Brasil publicou um vídeo orientando como fazer o autoexame de mama e por que ele é importante.

O site do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC) traz ainda arquivos com outros tipos de autoexames: da boca, pele, testículos e tireóide; confira aqui.

6. Bolsa de água quente para buscar a origem da dor

No caso da desconfiança de que uma dor seja muscular, colocar uma bolsa de água quente na região pode confirmar a hipótese, se a dor for aliviada ou passar – pois o objeto quente tem o efeito de relaxar os músculos.

Diante de uma dor no pescoço, por exemplo, o alívio com a bolsa de água pode separar o torcicolo (de origem muscular) de algo mais sério, como uma hérnia.

Mas André Salgado, clínico geral, destaca que isso serve mais para dores superficiais – aquelas agudas, como decorrentes de um infarto ou uma apendicite, requerem uma intervenção mais urgente. Ele aponta ainda que outros tipos de dor não musculares também podem ser aliviados com a bolsa, como cólicas.

“É um teste mais válido quando você parte do princípio que é uma dor muscular, que costuma piorar quando você mexe aquela parte do corpo, ou esta se apresenta dura e tensa”, acrescenta.

7. Testes auditivos

A internet e as lojas de aplicativos para celular estão cheias de opções de testes auditivos online – gratuitos ou não.

Em geral, eles duram alguns poucos minutos e devem ser feitos em locais silenciosos, já que reproduzem arquivos de áudio através do fone ou do alto-falante de computadores. Eles costumam incluir também breves questionários, com perguntas sobre idade e sexo do testado.

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Foto: Williamsje1/ Pixabay

O formato dos testes varia, mas em geral inclui a avaliação da sensibilidade para tons graves, médios e agudos, além de pedir para que o usuário detecte palavras faladas em ambientes ruidosos. Depois, uma pontuação ou nível são apresentados de acordo com o desempenho.

Considerando uma escala de perdas auditivas leves, moderadas, graves e profundas, Fausto Nakandakari, otorrino no Hospital Sírio Libanês, diz que os níveis “do moderado para cima” provavelmente podem aparecer em autotestes.

O médico diz que diversos pacientes já chegaram ao seu consultório relatando ter feito estes testes – e compartilha com a BBC News Brasil o comentário que costuma dividir com eles.

“Estes testes têm a sua validade para, por exemplo, rastrear alguma queda na audição. Mas a perda auditiva deve ser confirmada com um exame mais detalhado, como a audiometria”, explica Nakandakari.

O otorrino destaca também algumas limitações dos testes, com a influência de sons externos e a qualidade do som emitido por celulares, por exemplo. “Na audiometria, o exame é feito dentro de uma sala acústica, e os equipamentos são calibrados e regulados.”- complementa.

Fonte: BBC News Brasil

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Revista Ecos da Paz
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