Ao mesmo tempo que a indústria da moda promove o glamour e estilos engajados, que marcaram época, ela também gera um desperdício enorme. Somente em 2019 foram produzidas 170.000 toneladas de resíduos e mais de 80% foram direto para o lixo.

Contudo, a crise financeira e a preocupação com a sustentabilidade estão trazendo de volta uma prática muito usada em inúmeras famílias brasileiras: a reforma de roupas, ou “upcycling”.

Aquele vestido ou calça que você tanto gosta, mas está fora de moda ou sofreu  pequenos acidentes, ganha um novo visual se transformando em outras peças e assim o ciclo continua.

O termo upcycling foi criado pelo pesquisador belga Gunter Pauli, que recebeu o apelido de Steve Jobs da sustentabilidade.

Gunter virou uma referência no assunto ao figurar no livro “Cradle to Cradle: Criar e Reciclar Ilimitadamente, escrito pelo arquiteto americano William McDonough e pelo químico alemão Michael Braungart.

De acordo com os autores, reaproveitar as sobras reduz a necessidade de tanta matéria-prima e isto é o começo para qualquer atividade sustentável.

Grifes anti-desperdício

De acordo com Luiz Eduardo Lyra, da Oficina Muda, um vestido que na loja original custaria 500 reais seria jogado no lixo por causa de um pequeno defeito, mas ao passar por um rápido conserto a peça pode ser vendida por 200 reais.

O empresário viu nas reformas de roupa em escala industrial uma boa oportunidade de negócio e saiu a caça das roupas que seriam descartadas pelas grifes famosas como Maria Filó, Richards e Cantão.

Somente em 2019, 45.000 peças foram reformadas no seu atelier.

Conhecida pelo desperdício, até mesmo a alta costura se rendeu ao reaproveitamento como a holandesa Viktor & Rolf e a francesa Hermès, que dão vida nova a tecidos e materiais que sobram das echarpes, vestidos e bolsas.

Jeans: o vilão que nunca sai de moda

Este velho companheiro tem suas origens no século 18 no sul da França, mas o jeans como conhecemos hoje começou a ser modelado com Levi Strauss e Jacob Davis nos Estados Unidos no século 19.

A princípio, o jeans era usado como “uniforme” de mineradores, mas foi na década de 50 com o ator James Dean no filme “Juventude Transviada”, que esta peça caiu de vez no gosto popular. Para saber mais desta história clique aqui.

Apesar desta peça de roupa ser sinônimo de praticidade e elegância, no processo de produção de cada peça são usados 11.000 litros de água. Além disso, ele pode demorar até 30 anos para se decompor.

Estes fatores de resistência e durabilidade levaram a designer carioca Mirella Rodrigues, fundadora da Think Blue, a explorar as infinitas possibilidades retardando o seu descarte.

A tendência upcycling começou na faculdade de moda e se tornou tema do seu projeto final de curso. Hoje em dia, a empresária é movida a garimpos e doações, transformando calças em saias, shorts, jaquetas e vestidos.

Uma visão de futuro

De acordo com a designer e pesquisadora carioca Fernanda Nicolini, ressignificar o valor de um objeto é uma forma de amenizar uma cadeia produtiva feroz, que tem um gasto enorme de recursos naturais e que faz uso de mão de obra escrava.

Para a criadora da marca Odyssee é urgente que as grandes marcas pensem também em um design circular, em que cada peça é projetada para um futuro reaproveitamento.

Fonte: Veja Rio

 

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