O Brasil é o sétimo país que consome medicamentos no mundo e seu descarte em sua grande maioria acontece de forma incorreta.

O início deste problema começa na prescrição da receita. Em determinados casos, o médico poderia prescrever o remédio por doses fracionadas, pois nem sempre há necessidade de consumir toda a caixa. Uma solução é doar para quem estiver precisando e nas redes sociais, em especial o facebook, você encontra diversas páginas sobre o assunto.

Segundo parlamentares, há uma lei em estudo para que possa vender os remédios desta forma.

Em meados de 2020, o governo federal assinou um decreto que determina a logística reversa com relação aos medicamentos. O consumidor levará seus remédios aos postos de coleta, que poderão ser encontrados  aqui.

Caso não tenha na sua região, os postos de saúde estão aptos a recebê-los.

As drogarias e as farmácias terão de disponibilizar e manter, em seus estabelecimentos, pelo menos um ponto fixo de recebimento a cada 10 mil habitantes. Caberá às indústrias fabricantes e às empresas distribuidoras os processos de recolhimento e descarte final dos produtos.  

Danos ao meio ambiente

Jogar diretamente no lixo doméstico os remédios em desuso ou vencidos provoca sérios problemas à saúde das pessoas e ao meio ambiente.

Em torno de 20% dos medicamentos que usamos são descartados de forma irregular. Ao parar nos aterros sanitários, eles podem contaminar o solo.

Um outro fator, que não é levado em consideração é que excretamos pela urina e fezes micropartículas destes fármacos e as estações de tratamento de esgoto não têm o equipamento adequado para eliminá-los, eles são apenas atenuados.

Para isso, as companhias de tratamento de água e esgoto deveriam investir em técnicas como: ultrafiltração, ozonização, oxidação avançada, mas os elevados custos não viabilizam sua implantação para o tratamento de esgoto em larga escala.

Segundo o relatório “Fronteiras 2017” da ONU, os antibióticos despejados diretamente na natureza geram superbactérias, que são resistentes ao antibiótico em questão.

As pessoas que manejam esses resíduos sem proteção, como catadores nos lixões, também são suscetíveis a intoxicações caso achem o medicamento e o consumam.

Como vai funcionar

O consumidor levará os remédios para as farmácias cadastradas. Antes da coleta pelo fabricante, o estabelecimento registrará no sistema nacional de informações sobre gestão de resíduos sólidos o peso dos produtos armazenados temporariamente.

As seringas e agulhas serão descontaminadas numa usina de tratamento e depois levados para aterros sanitários como resíduo sólido e os medicamentos serão incinerados com filtragem dos gases produzidos pelo processo.

Para Nelson Mussolini, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), o decreto é um marco para o setor e deve beneficiar centenas de milhões de pessoas no país. “Vamos atingir aproximadamente 120 milhões de brasileiros, com mais de 10 mil pontos de recolhimento. É um fato a ser comemorado. Foram quase 10 anos com dezenas de reuniões envolvendo 17 entidades da cadeia farmacêutica”, destacou. 

O vídeo abaixo, produzido pela TV Senado, é 2016 (antes da assinatura do decreto) e nele os parlamentares falam sobre a política de resíduos sólidos e a responsabilidade de cada um nesta cadeia: do fabricante ao consumidor final, além de dicas sobre como cuidar da sua farmacinha caseira.

Fonte: Agência Brasil, Ecycle

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