O problema da falta de moradia se espalha por vários países, inclusive nos desenvolvidos como os Estados Unidos, onde se revelou um enorme déficit habitacional com pessoas morando em barracas de camping porque não conseguem pagar aluguel e não é por questão de desemprego.

Aqui no Brasil, a população de baixa renda ou em extrema pobreza também sofre com a falta de políticas públicas mais consistentes para diminuir o déficit habitacional.

Contudo, a reciclagem, ou melhor, a reutilização das caixas de leite ( embalagens Tetra Pak), garrafas pets e de vidro, têm se apresentado como uma solução para este problema, além de ajudar a sanar um outro: o descarte inadequado deste material.

Em 2009, na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a química Maria Luiza Camozzato, descobriu uma solução simples e de baixo custo para melhorar as casas da população em vulnerabilidade social: caixas de leite.

A matéria-prima, que passa pela mesa dos brasileiros todos os dias, tem uma boa estrutura para forrar as “paredes” cheias de frestas destas casas.

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As embalagens de leite Tetra Pak sendo preparadas para a formação de painéis. Foto: Acervo “Brasil sem Frestas”

Maria Luiza conseguiu reunir um grupo de voluntários para recolher estas embalagens deixadas em postos de coleta, limpar, costurar e fazer as placas que proporcionam  isolamento térmico, além de impedir a entrada de bichos peçonhentos.

Nascia o projeto “ Brasil sem Frestas”, que logo se espalhou para diversos estados do Brasil como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal.

Para se manter, o projeto organiza bazares bimensais com roupas, eletrodomésticos, itens de cama, mesa e banho, artigos infantis. O que sobra é doado para outra instituição poder fazer o seu bazar e cuidar dos seus projetos.

Além destes artigos, o “Brasil sem Frestas” também recebe insumos para realizar a colocação das placas como as embalagens, grampeadores de estofador, tesouras grandes e médias, luvas e linhas de costura de nylon na espessura 60/80.

Para saber mais, clique aqui.

A versatilidade do PET

Com as garrafas pet você pode fazer sofás, banquinhos, camiseta e até uma casa, uma não…trezentas! Esta foi a façanha da advogada boliviana Ingrid Diez.

Ela criou o projeto “Casa de las Botellas” ( Casa das Garrafas, em português) para ajudar as pessoas que vivem em extrema pobreza.

Depois de investigar qual o melhor método, Ingrid encontrou uma maneira de usar garrafas PET, garrafas de vidro, cimento, cal, areia, cola e sedimentos. O processo consiste em encher as garrafas com terra e sedimentos, amarrá-las e fixá-las com cal e cimento.

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Foto: Ingrid Diez / Acervo pessoal

A primeira construção usou 36.000 garrafas PET de 2 litros e deu origem à uma casa de 170m².

Segundo Ingrid, este tipo de casa leva 20 dias para ser construída, em regime de mutirão com a participação dos futuros moradores. O projeto já foi para a Argentina, México, Paraguai e Uruguai.

A criatividade mineira

Aqui no Brasil  o exemplo vem de Minas Gerais, na cidade de Extrema. O pedreiro Ed Mauro Morbidelli construiu sua casa com mais de 10 mil garrafas e com um custo menor que R$ 15 mil.

Segundo a arquiteta Ângela Marques, especialista em utilização de materiais alternativos em construções, o uso de garrafas pet em construção se iniciou na Índia e na América Latina  em 2000.

A resistência deste material é muito maior do que a do tijolo convencional, isso foi comprovado em pesquisas, e também um ponto importante é a característica termoacústica que a parede de garrafa-tijolo tem.

“A condutibilidade do calor é inferior ao do tijolo convencional, isso garante que dentro de uma casa de garrafa pet você tem uma temperatura que chega a 18º num país tropical. Isso é super confortável”, afirma.

Para a construção, o pedreiro teve a ajuda do seu pai e de amigos, que recolheram as garrafas PET. A casa foi feita num terreno da zona rural e levou 2 anos para ficar pronta.

O talento do pedreiro também é constatado no interior da casa com acabamento em mosaico feito com cacos de cerâmica, garrafas de vidro, que dão um colorido especial. Os cômodos recebem claridade pelas garrafas plásticas colocadas no telhado e ele economizou também com as portas e janelas que foram doadas.

Além disso, Ed Mauro estendeu a preocupação com a sustentabilidade para o terreno da casa, onde plantou árvores frutíferas e colocou três caixa d´água para coletar água da chuva. O portão da casa e o arrimo na base foram feitos de pneus.

Ele garante que nunca tinha feito nenhuma construção deste tipo, tudo foi feito a partir de pesquisas na internet.

Para ver os detalhes da construção assista a reportagem da EPTV

Fonte: Ciclo Vivo, G1, Catraca Livre

 

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