Estudos científicos de oceanógrafos e entidades de conservação da vida marinha apontam que até 2050 teremos mais plásticos do que peixes nos oceanos. São recorrentes as notícias e fotos que mostram a poluição formada por imensas ilhas de plástico.

Inventado em 1907 pelo químico belga, naturalizado americano, Leo Baekeland, o plástico feito a partir do petróleo tem sua utilidade, mas o grande problema continua sendo o descarte correto.

O plástico leva em média mais de 200 anos para se decompor na natureza devido sua composição molecular. As bactérias e fungos não conseguem quebrar essa estrutura como o fazem com os outros materiais.

Apenas 1%

No ranking mundial no quesito produtores de lixo plástico, o Brasil ocupa a 4ª posição, atrás dos EUA, China e Índia. Segundo dados do Fundo Mundial da Natureza – WWF (sigla em inglês) apresentados em 2019, o país produz :

  • 11.355.220 milhões de toneladas de lixo plástico por ano
  • Cada brasileiro produz 1 kg de lixo plástico por semana (uma das maiores médias do mundo)
  • Somente 145.043 toneladas de lixo plástico são recicladas
  • 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular
  • 7,7 milhões de toneladas ficam em aterros sanitários
  • Mais de 1 milhão de toneladas não é recolhida no país

Enquanto a média mundial de reciclagem é de 9%, o Brasil recicla APENAS 1%. Isto se deve a falta de políticas públicas de coleta seletiva, reciclagem, a falta de educação ambiental para a população, e também não há um diálogo com a indústria para o desenvolvimento de novas tecnologias como por exemplo os plásticos de uso único ou plásticos recicláveis.

Lixeiros em ação

Os rios percorrem um longo caminho até desembocar no mar e este trajeto é marcado pela poluição graças à falta de saneamento básico nas cidades por onde ele passa, como também pela  falta de fiscalização das indústrias que lançam seus dejetos nestas águas.

Apesar da situação calamitosa dos rios, algumas pequenas atitudes têm surtido grandes efeitos.

Na cidade paranaense de Colombo, próxima à Curitiba, Diego Saldanha investiu por conta própria na criação de uma pequena ecobarreira no rio Atuba, que fica próximo de sua casa. Para a construção do dispositivo, ele usou galões de água unidos por uma rede que detém o lixo flutuante.

Desde que instalou a ecobarreira em 2017, Diego já conseguiu retirar 5 toneladas de lixo, inclusive um fogão!

O material recolhido é separado, vendido para reciclagem a fim de custear o próprio dispositivo e também os seus projetos ambientais. A sua pequena e eficaz ecobarreira já lhe rendeu alguns prêmios como : menção honrosa da Assembleia Legislativa do Paraná pela contribuição ao seu município e o prêmio Lixo Zero do Instituto Lixo Zero Brasil na categoria ações comunitárias.

Além destes prêmios, Diego está inspirando várias cidades pelo Brasil a fazer o mesmo como Blumenau (SC) e Benevides (PA).

Um iate de pesquisa colossal

O norueguês Kjell Inge Røkke começou sua vida profissional como pescador. Atualmente ele é dono de 67% das ações públicas da Aker, um conglomerado de transporte marítimo e de perfuração offshore, Rokke começou a vender peixe de um barco, em Seattle, antes de retornar à sua Noruega. Ali construiu uma frota e ganhou reputação como investidor corporativo implacável.

barcogari01 - Os lixeiros das águas em ação: embarcações e ecobarreiras que retiram toneladas de plástico
Revocean chega na Noruega para ser terminado. Foto: Divulgação

Segundo Rokke, o mar deu à ele tudo o que tem e em retribuição ele construiu com recursos próprios o Revocean, uma embarcação de 181 metros com minissubmarinos e drones, aquáticos e aéreos. Além de um auditório e sete laboratórios.

No site do Revocean , o internauta poderá ver as fotos e vídeos da sua construção num estaleiro na Romênia e sua chegada na Noruega para ser terminado. O barco também será oferecido para charters, de modo a gerar renda para contribuir com as viagens de pesquisa.

A embarcação poderá ter até 60 pesquisadores a bordo que estudarão as mudanças climáticas, a pesca e a extração de minérios no fundo do mar. Além disso, há uma expectativa de se coletar até 5 toneladas de plástico por dia.

Uma ecobarreira em forma de barco

A empresa holandesa Ocean Cleanup batizou sua criação de Interceptor, uma ecobarreira em forma de barco movida a energia solar.

O diretor-executivo da empresa Boyan Slat prevê que o Interceptor possa retirar dos rios cerca de 50 mil quilos de lixo por dia. A estratégia de focar nos rios é para impedir que estes resíduos cheguem aos oceanos, enfim, atacando o problema na sua fonte.

O Interceptor já opera em duas das cidades que mais lança resíduos plásticos em seus rios: Jacarta, na Indonésia, e Klang, na Malásia. Um terceiro sistema vai para Can Tho no Delta do Mekong, no Vietname, e um quarto será destinado à República Dominicana.

Nestes lugares, a empresa apresenta e coloca pra funcionar toda a estrutura e faz todo um trabalho para sensibilizar e envolver a população local neste projeto de limpeza das águas.

Boyan Slat ficou conhecido por criar aos 25 anos uma ecobarreira que já retirou uma grande quantidade de plástico no Oceano Pacífico entre a Califórnia e o Hawaí. O dispositivo foi financiado através de crowndfunding e investidores.

Fontes: PPlware, Mar sem fim, Portal Elos

 

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Revista Ecos da Paz
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