Dia 1º de dezembro é comemorado o Dia Mundial da Luta contra a Aids, uma data instituída pela Assembleia Mundial de Saúde.

Desde sua descoberta no século passado em meados da década de 80, os portadores do vírus HIV, causador da doença, puderam usufruir de algumas descobertas da ciência que lhes trouxeram qualidade de vida.

Mas as ações não se restringem apenas ao mês de dezembro. É preciso um trabalho contínuo não só para diminuir o número de portadores como também a falta de informação e o preconceito.

Ter HIV não significa ter Aids. Uma pessoa contagiada pelo vírus (soropositiva) pode viver anos sem desenvolver a doença. No entanto, ela pode transmiti-lo para outras pessoas por meio de relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas, por meio de transfusão com sangue contaminado e, no caso de gestantes e lactantes, da mãe para o filho caso não se tomem medidas preventivas. O HIV é o vírus que pode levar à Aids, mas não é regra.

No início da sua descoberta, atribuía-se apenas aos homossexuais a transmissão do vírus, em seguida esta teoria foi por terra, pois a aids pode afetar todas as pessoas, de todas as idades, raças, orientações sexuais e identidades de gênero.

A ameaça continua

HIV é a sigla em inglês para vírus da imunodeficiência humana. É um organismo biológico que ataca o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo contra doenças. As células mais atingidas são os glóbulos brancos, ou leucócitos, cujo DNA é alterado pela ação do agente infeccioso. Por meio dessas mudanças, o HIV se multiplica e busca outras estruturas para atacar.

A Aids é uma das grandes ameaças à saúde da população mundial ao lado da diabetes, câncer e hipertensão, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde).

Apesar do Brasil já ter sido referência no tratamento da doença, pesquisadores alertam que é um erro gravíssimo achar que a doença está sob controle. Segundo o diretor-presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, Richard Parker, a doença ainda está muito longe do fim, pois existem mais de 20 milhões de pessoas no mundo sem acesso ao tratamento.

Parker critica a postura da OMS, dos países ricos e dos em desenvolvimento que apostaram entusiasticamente nas descobertas científicas, mas isto por si só não basta. Segundo ele, não se deu atenção às respostas comunitárias, sociais e políticas e às denúncias dos ativistas e das pessoas vivendo com HIV e aids sobre os problemas impostos pela epidemia.

“Não há como eliminar a doença sem combater as barreiras estruturais e culturais que a sustentam — ou seja, as desigualdades e as exclusões socioeconômicas que atingem populações marginalizadas e que têm sido cada vez mais potencializadas pelo crescimento global do conservadorismo, do racismo, da xenofobia, da homofobia e pelo consequente fortalecimento do estigma e da discriminação.” – afirma o pesquisador.

Para ler o artigo completo do Dr. Richard Parker clique aqui

Vacina em fase final de teste

A farmacêutica Janssen trabalhou com os Institutos de Saúde dos Estados Unidos, o Exército Americano e o Fred Hutchinson Cancer Center, também nos EUA, para pesquisar e desenvolver uma vacina capaz de proteger o organismo do vírus causador da aids.

Após décadas de trabalho, o imunizante está pronto para o teste final. Ele será aplicado em 3 800 voluntários espalhados por oito países, incluindo o Brasil.

“Vivemos um momento único na história e o mundo aguarda ansioso pelos resultados”, diz a infectologista Beatriz Grinsztejn, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, uma das instituições que participarão dos testes em nosso país.

Contudo será preciso um pouco de paciência porque as conclusões do experimento devem sair em quatro anos. espera-se que os números definitivos venham a público em 2023.

A vacina será aplicada em 4 vezes nos seguintes intervalos de tempo após a primeira dose: 3 meses, 6 meses e 12 meses, que será administrada em homens que fazem sexo com outros homens e transgêneros.

Em pesquisas prévias, a vacina não trouxe eventos adversos graves e estimulou a produção de anticorpos.

Implante que bloqueia a Aids

O laboratório MSD desenvolveu um dispositivo que tem o tamanho de um palito de fósforo e é instalado na parte traseira do braço num procedimento cirúrgico bem simples. Ele vem carregado de um remédio anti-HIV de altíssima potência, que é liberado para o corpo ao longo de um ano.

“Estamos na fase de protótipo e precisamos definir a dose exata da medicação antes de avançarmos em outros pontos”, conta o cientista sênior de farmacologia Randy Matthews, da MSD. A ideia é que testes mais robustos com o novo implante sejam publicados a partir de 2025.

A doença no Brasil

Já  tivemos a redução de 16% de mortes decorrentes da aids nos últimos dez anos e a extinção da transmissão do HIV de mãe para filho, alcançada no estado de São Paulo recentemente. Apesar disso, hoje, em 2019, não há nada para comemorar.

Em 2016, durante o governo de Michel Temer, o congresso brasileiro votou a favor da Emenda Constitucional Nº 95, conhecida como Emenda do Teto dos Gastos Públicos, que determinou o congelamento de investimentos públicos do governo brasileiro com saúde e outras áreas sociais por 20 anos. À época, Jair Bolsonaro, que hoje é presidente, votou a favor deste congelamento.

As políticas públicas do governo atual demonstram pouca preocupação com ações de prevenção. Houve precarização no Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), suspensão de kits de prevenção e cortes de canais de comunicação dedicados à divulgação do tema.

Mario Scheffer é professor do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP) e acompanha as políticas de combate à epidemia no país há mais de 30 anos.

Segundo ele, o combate à aids foi concebido dentro do SUS (Sistema Único de Saúde) e sempre dependeu de quatro pilares importantes: a distribuição gratuita de medicamentos, bons serviços públicos e uma política baseada em evidências científicas e direitos humanos. Além desses, o pesquisador cita o trabalho das organizações não governamentais (ONGs) e a inclusão das populações mais vulneráveis na discussão e elaboração dessas políticas públicas.

Com a Emenda do Teto dos Gastos, o programa corre sérios riscos por conta da verba cada vez menor. É de consenso geral entre os pesquisadores, que não importa o governo, o combate à Aids tem que ser uma política pública de Estado. Ela independe de qual partido esteja no poder, era o que deveria ser.

Canal de informação alternativo

Já que o governo tem deixado de lado as campanhas para informar a população sobre HIV/aids, canais alternativos são criados nas redes por pessoas soropositivas, que compartilham informações e contam sobre o dia a dia de conviver com o vírus hoje no Brasil, com a proposta de desconstruir mitos e preconceitos, além de passar a sensação de acolhimento.

Um desses exemplos é o canal do ator Drew Persí que se descobriu  soropositivo em 2013. Depois de passar seis anos sem falar publicamente sobre o assunto, decidiu criar conteúdo específico sobre o tema em seu canal no YouTube.

“Eu comecei a sentir, a perceber que a falta de informação estava matando as pessoas. Eu ouvia coisas e queria dizer ‘não é bem assim, as pessoas não são assim como você pensa’, mas eu não podia dizer, porque ainda não era público [que eu era soropositivo]. Foi então que decidi comprar essa briga. Se a gente quer derrubar esse estigma e quebrar esses tabus, a gente precisa de histórias reais, contando histórias reais”, afirma Persí.

Acesse, conheça e compartilhe a Agência de Notícia da Aids, um portal concebido pela jornalista Roseli Tardelli, que traz artigos assinados por especialistas na área de saúde, depoimento de soropositivos e os dados e pesquisas sobre a doença.

Fonte: Saúde Abril, Diário do Centro do Mundo

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