No Brasil, poucas são as cidades que têm uma política de inclusão para os habitantes com algum tipo de deficiência. Calçadas esburacadas, falta de rampas e de sinalizações apropriadas já fazem parte da rotina de quem tem algum tipo de deficiência física ou mobilidade restrita e na hora do lazer a situação não é muito diferente.

Contudo alguns projetos estão mudando este cenário como o “Bike sem Barreiras” . Esta iniciativa é do Instituto Ser Educacional e começou em 2016 na cidade do Recife em Pernambuco e já atendeu 500 pessoas com a ajuda de voluntários, que pedalam durante o passeio.

O projeto começou a se expandir para outras capitais como João Pessoa no Parque da Lagoa Sólon de Lucena , que conta com a parceria da prefeitura e da Uninassau (Universidade Maurício de Nassau). E recentemente o “Bike sem Barreiras” chegou ao Rio de Janeiro. Os interessados em participar podem ir ao Posto 3 da Praia do Flamengo, todos os domingos, das 9h às 12h, e procurar a equipe da instituição disponível na tenda da Univeritas, parceira do projeto.

Pedaladas inclusivas e solidárias

Montar numa bicicleta e sair pedalando é tarefa fácil mesmo para aqueles que ficaram um bom tempo sem andar numa bike, afinal, esta prática não se esquece.

bikesembarreiras - O sucesso das iniciativas de inclusão social em cidades brasileiras
Bicicletas adaptadas para atender diversos tipos de deficiência. Foto: Divulgação

Para atender as pessoas com deficiência física e/ou com mobilidade restrita, o projeto tem diversos tipos de bicicletas: uma handbike (triciclo adaptado para ser pedalado com as mãos), a bike dupla (pedalada pelo monitor e por uma pessoa com deficiência visual), e uma bicicleta adaptada com uma cadeira de rodas no lugar da roda dianteira. Para experimentar os equipamentos, basta se inscrever na hora gratuitamente no local do evento.

O presidente do grupo Ser Educacional, Jânyo Diniz torce pela adesão dos cariocas ao projeto. A ideia é oferecer o serviço nos próximos seis meses, o que pode ser estendido por mais tempo. A iniciativa busca patrocínio.

“Queremos despertar na sociedade com baixa ou nenhuma mobilidade, o prazer em participar de uma prática de lazer, que, neste caso, é andar de bicicleta. Esperamos que a adesão seja um sucesso, e que possamos implementar em outras cidades do país.” – afirma.

Para Adriana Garcia, diretora da Univeritas, que é parceira do projeto na cidade do Rio de Janeiro, a ideia é uma excelente oportunidade para inserir os alunos voluntários em práticas sociais.

“Possibilitar interações dos alunos com a população promove uma prática social única e favorável, principalmente se observarmos que o público-alvo do projeto é constituído por pessoas com menores alternativas de lazer. Logo, ao mesmo tempo que o usuário desfruta das bikes, o estudante aprende a ser parte da alegria de alguém.” — explica.

O banho de mar ficou mais fácil

Uma grande tenda amarela se destaca nas areias das praias de Copacabana e Barra da Tijuca na zona sul e zona oeste respectivamente na cidade do Rio de Janeiro. É o projeto “Praia para Todos” que tem o patrocínio das empresas Michelin, fabricante de pneus, e Furnas, subsidiária da Eletrobras, que torna a praia um lugar ainda mais democrático.

O projeto já tem 8 anos de história proporcionando o lazer gratuito para pessoas de todas as idades com algum tipo de deficiência .

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Banhistas com necessidades especiais curtindo a praia Foto: Divulgação

De dezembro a abril no Posto 3 da´Barra da Tijuca e no Posto 5 de Copacabana, os frequentadores poderão curtir o banho de mar em cadeiras adaptadas para boiar na companhia dos professores de educação física e fisioterapeutas. O projeto é realizado nos finais de semana das 09:00 às 14:00.

Além de curtirem o mar, muitos o fazem pela primeira vez, os banhistas podem jogar volei sentado e frescobol.

Em Caraguatatuba, no estado de São Paulo, o projeto da prefeitura “Praia Acessível” também oferece lazer para deficientes gratuitamente. A diferença em relação ao projeto carioca é que dura o ano inteiro. Somente em 2018 o projeto atendeu 6000 pessoas.

Um brinquedo parecido comigo!

Eles são pequenos grandes guerreiros que entre as sessões de tratamento do câncer resistem como podem para manter o que têm de mais precioso: a infância.

Pensando em como ajudar os pequenos a viver esta fase da vida e nas consequências dos tratamentos agressivos, algumas voluntárias do grupo “Mãos Solidárias” na cidade de Jaguará do Sul em Santa Catarina, confeccionam bonecos sem cabelos para que estas crianças se reconheçam e se sintam representadas em todas as suas características, surge o projeto “Carequinhas”.

carequinhas - O sucesso das iniciativas de inclusão social em cidades brasileiras
Os super-heróis são sucesso garantido entre as crianças.                        Foto: Divulgação Facebook

De acordo com a presidente do grupo Grasiela Cristofolini, 250 bonecos, sendo 125 bonecas e 125 super-heróis fizeram o Natal das crianças mais feliz.

As voluntárias dividiram o custo de confecção das peças e neste último Natal cada uma desembolsou R$ 1.000,00, que apesar do custo alto, elas garantem que a alegria dos pequenos recompensou. O projeto Carequinhas recebe doações e está na plataforma de crowdfunding Vakinha.

Nestes dois anos de vida, “Carequinhas” trouxe muitos sorrisos e emoções não só pela reação das crianças como pela morte delas e nesta hora as voluntárias permanecem firmes nesta missão de levar alegria pra estes lutadores.

Na tarefa de propagar doses de autoestima, a artesã Cristiane Mendonça produz bonecos de pano que traz alguma deficiência. Pode parecer esquisito bonecos pernetas de muleta, com Síndorme de Down ou em cadeiras de rodas, mas sua proposta é discutir a representatividade e o respeito às diferenças. Temas nem sempre explorados e discutidos em família.

Natural do Rio Grande do Norte, Cristiane mora atualmente no Rio de Janeiro e criou a sua marca Bottega das Artes que vende em shoppings e pela internet.

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Linha “Amigos da Inclusão”, uma forma de ensinar brincando o respeito pelas diferenças. Foto: Divulgação Facebook

Tudo começou quando uma de suas amigas pediu para que ela fizesse um boneco que representasse seu filho que tem Síndrome de Down. No dia da entrega, Christiane levou sua filha de 6 anos, que não parava de olhar o menino.

A partir daí a artesã percebeu que podia usar o lúdico para falar sobre respeito às diferenças e representatividade à estas crianças, nascia a linha “Amigos da Inclusão”.

Para Christiane, o que a encanta nos bonecos de pano é o fato de que cada um é único, com isso ela consegue valorizar o trabalho artesanal e ajuda estas crianças a criar um vínculo de amizade, que resgata a importância do brincar livre e da fantasia das brincadeiras saudáveis.

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