Quem nunca sonhou com algo que aconteceu logo em seguida? Premonição? Profecia? Na cultura ocidental quem começou os estudos a respeito dos sonhos foram os psicanalistas europeus Freud e Jung no começo do século XX. 

A diferença entre os dois a respeito do processo de produção dos sonhos, dentre outras coisas era: a causalidade adotada por Freud e o sincronismo/misticismo praticado por Jung.

A causalidade freudiana está relacionada às causas determinantes da produção dos símbolos através da repressão ou realização de desejos internos; consequentemente estes se traduzem em imagens dentro dos sonhos como a figura do mar, dentes, fezes, nudez etc.

Na obra “A Interpretação dos sonhos” Freud descreve padrões desses símbolos. Jung não nega esta causalidade, porém, acredita que esta não seja  suficiente para explicar particularidades dos indivíduos, o irracional. Ele também vinculou a física quântica aos seus estudos.   

Do anjo Gabriel à produção de símbolos

Como exemplo do incompreensível podemos ver no primeiro capítulo do Evangelho segundo Mateus versículo 20 a passagem: “E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo.”

O sagrado e dogmático não está à luz dos questionamentos de quem crê. Jung se distancia do pragmatismo freudiano e considera o irracional como “extrarracional”, algo além da razão que precisa ser estudado.

O pragmatismo, segundo o pensador, elimina a criatividade e o conflito dos opostos não deve ser mediado através da conceitualização destes e sim a partir de uma coordenação unificada.

O imaginário coletivo criado através do cristianismo, em especial com o nascimento de Jesus, unifica e produz outros símbolos importantes para a sobrevivência humana como a empatia, a paz, harmonia social etc.

O tempo passou, a essência transcendeu…

As pesquisas em neurociência evoluíram assim como a medicina, apesar dessa evolução a noção de “restos do dia” (experiências prévias, desejos, acontecimentos) apresentada no livro “A interpretação dos Sonhos”, ainda é algo verificável como mostra os estudos de Sidarta Ribeiro, em especial, em seu artigo “Sonho, memória e o reencontro de Freud com o cérebro”.  

No estudo citado acima o pesquisador reconhece que o material teórico de Freud e Jung a respeito do processo mnemônico do cérebro (memorização) e da interpretação dos sonhos ainda é relevante visto os resultados que explicam o papel central do sono e dos sonhos no aprendizado. 

Sonhar faz bem para o autoconhecimento e pra afixar memórias úteis. Lembro-me de um sonho esquisito no qual fugia de uma multidão de mortos-vivos, quando um deles aproximou-se de mim eu acordei.

Tudo bem que no dia anterior eu joguei muitas horas no Playstation o clássico Resident Evil. Vai saber qual era o meu real desejo ou recalque naquele momento? O famoso “restos dos dias”.

Nessas horas é interessante lembrar a respeito de nossa saúde mental e ir ao especialista. Nossa mente é cheia de mistérios, ilusões criadas e replicadas da realidade. E você, lembra a última vez que sonhou?  Compartilhe suas experiências conosco.

Fonte: Scielo, Psicologado

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Revista Ecos da Paz
Viver em harmonia é possível quando abrimos o coração e a mente para empatia e o amor.