Uma pesquisa de mestrado de 2016 na UFSC ( Universidade Federal de Santa Catarina) teve como  objeto de estudo a Revista Espelho, que dentre as reportagens sobre literatura, moda, indústria e artes, um dos textos chamou a atenção da doutoranda em História, Cristiane Garcia Teixeira.

O texto era uma biografia de Dom Pedro II, que apesar de não estar assinado, Cristiane começou a suspeitar de Machado de Assis pelo fato do texto estar em primeira pessoa.

Pesquisadora da história da imprensa, agremiações literárias, intelectuais e também da circulação de mentiras no Brasil do século XIX, Cristiane descobriu que a Revista Espelho foi a sua primeira oportunidade de publicar seus textos com mais constância.

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Exemplar da Revista O Espelho publicada em 1859 usado na pesquisa de Cristiane Teixeira. Foto: Hemeroteca Digital

A investigação

Na época, o autor de Dom Casmurro, tinha apenas 20 anos e ainda não era conhecido no cenário editorial.

A metodologia da dissertação de Cristiane envolvia entender a lógica da divisão interna dos artigos. Ela notou que na edição número 6 da revista havia um aviso “Brevemente encetaremos a publicação de uma galeria Dramática – biografias e um retrato correspondente. O fotógrafo é o Sr. Gaspar Guimarães, e o biógrafo é o Sr. Machado de Assis”.

“Nos número sete, oito e nove não foram publicadas biografias. Apenas na edição número dez apareceu o esboço biográfico de D. Pedro II. O texto, por sua vez, ocupou um espaço geográfico da revista que foi comum às publicações de Machado de Assis: a primeira página e o primeiro artigo. Foi o ‘abre-alas’ daquele número da revista”, revelou Cristiane.

Versos para o Imperador

Machado de Assis foi o colaborador mais assíduo deste periódico com 38 textos escritos em 4 meses. Cristiane ressalta que sua produção foi alta, porque entre 1855 e 1857, Machado de Assis escreveu para a imprensa da Corte, no geral, 36 textos.

“Já é possível perceber o negaceio na escrita do jovem Machado que alertava para o fato de não estar escrevendo sobre o imperador a partir de uma perspectiva política porque o ‘cálculo’ e a ‘conveniência’ não permitiam que fizesse isso”, comenta.

Cristiane sugere que ainda existem inúmeras análises para serem realizadas e outras questões a serem respondidas, como os objetivos e motivos que levaram Machado a escrever a biografia.

Um outro fato curioso é uma letra do hino nacional escrita pelo “Bruxo do Cosme Velho” encontrada pelo pesquisador independente Felipe Rissato.

“Das florestas em que habito/ Solto um canto varonil:/ Em honra e glória de Pedro/ O gigante do Brasil”, diz o começo do hino, composto de sete estrofes em redondilhas maiores, ou seja, versos de sete sílabas poéticas. O trecho também é o refrão da música.

O Pedro mencionado é o imperador dom Pedro II. Machado compôs a letra para o aniversário de 42 anos do monarca, em 2 de dezembro de 1867. O hino seria apresentado naquele dia no teatro da cidade de Desterro, antigo nome de Florianópolis.

Fonte: UFSC

 

 

 

 

 

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