A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi implementada no Brasil em 2010, contudo, pouco se conquistou nesta área. De acordo com o Índice de Sustentabilidade Urbana, que é formulado pelo Sindicato Nacional de Empresas de Limpeza Urbana, apenas 3,9% do lixo é reciclado.

Cada brasileiro produz cerca de 380 quilos por ano e de acordo com o estudo do Cempre ( Compromisso Empresarial para a Reciclagem) de 2019, somente 17% dos municípios do país têm programas de reciclagem.

De uma maneira geral, o brasileiro sabe da importância de se cuidar do meio-ambiente, mas não tem a mínima ideia de como dar o destino correto ao lixo diário que produz. Além disso, as políticas públicas de logística reversa são praticamente inexistentes.

Se todas as indústrias tivessem postos de coleta dos bens de consumo e das embalagens dos produtos que compramos, a indústria da reciclagem geraria uma receita bem maior que os 3,8% que é reciclado no país. E os catadores, que sobrevivem dos lixões, não estariam expostos à doenças e contaminações e haveria muito mais cooperativas de reciclagem gerando mais postos de trabalho e renda.

Iniciativas inovadoras

Em Santa Catarina, uma das indústrias do ramo de revestimentos decidiu investir pesado em sustentabilidade. Desde os anos 2000, a empresa redirecionou sua produção usando resíduos plásticos.

Esta solução inovadoras veio da Indústria Santa Luzia, que substituiu a madeira na  produção de perfis decorativos e revestimentos para peças de plásticos.

A empresa recolhe sobras, aparas e resíduos de plásticos como Isopor® (poliestireno expandido ou EPS) e poliuretano (PU) a partir de parcerias com empresas e cooperativas, transformando-os em materiais de construção reciclados e recicláveis.

Desde a mudança de matéria-prima de madeira para plástico, quase 50 milhões de kg de resíduos de EPS e PU foram reciclados pela empresa. Apesar disso, não é um material atrativo para os catadores por ser um material leve.

Esta iniciativa depende também de ações integradas entre poder público, empresas e a população em geral. O EPS, por exemplo, é pouco reconhecido como plástico e muitas pessoas sequer sabem que se trata de algo reciclável.

Um outro exemplo é a Natura, empresa de cosméticos e perfumaria, que usa vidro reciclado em toda sua linha de perfumaria.

Este projeto começou em 2015 e evitou o descarte equivalente à 1,7 milhão de garrafas de de vidro de 1 litro. Com isso, a empresa evitou também a emissão de 1,5 mil toneladas de gases do efeito estufa.

Keyvan Macedo, gerente de sustentabilidade da Natura diz que para assegurar a qualidade das embalagens, que são fabricadas com vidros muitas vezes de características diferentes, foi estruturado um rígido processo de homologação das cooperativas fornecedoras.

As linhas Sève e Ekos usam embalagens com plástico 100% reciclável e a empresa também investe também no uso do plástico verde, que é produzido a partir da cana-de-açúcar.

É um plástico que tem o mesmo potencial de reciclagem que o plástico tradicional e produz menos gases do efeito estufa. Ele evita a emissão de mais de 3000 toneladas de gás carbônico CO².

Vidro: um grande desafio

A reciclagem do vidro gera economia de energia, de água e emite menos poluentes. Apesar dele ser 100% reciclável, ele não é atrativo para os catadores porque paga-se pelo quilo pouco mais de R$0,15 e há também o risco de acidentes com a quebra do produto.

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100% reciclável, o vidro poderia ser melhor explorado. Foto: Pixabay

Segundo Sabetai Calderoni, presidente do Instituto Brasil Ambiente, transportar o vidro até às poucas indústrias que fazem reciclagem não compensa por elas ficarem muito distantes.

Para diminuir a quantidade de garrafas e potes que são descartadas no meio ambiente, a startup Green Mining criou um aplicativo para os catadores.

O modelo funciona da seguinte forma: a partir de um mapeamento dos bares e lanchonetes que mais descartam vidro na vizinhança, os catadores vão de triciclo ao posto de coleta, pesam e inserem no aplicativo quanto recolheram em cada local e depois despejam num grande container.

Quando este container enche, o caminhão da indústria vai pegar. De acordo com o fundador da Green Mining, Rodrigo Oliveira, esta operação tem um custo muito baixo e possibilita que os catadores ganhem um salário mínimo e com carteira assinada.

 

 

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Revista Ecos da Paz
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