Já se imaginou ficar sem poder lavar sua roupa, ficar sem acesso a higiene básica como lavar as mãos, um banho ou escovar os dentes? Bem, para os moradores em situação de rua estas ações simples que fazemos diariamente, para eles é um luxo e nem nos damos conta disso.

Esta população, que a cada crise no país, ela aumenta, recebe roupas limpas de grupos e instituições filantrópicas,  mas depois de alguns dias são descartadas como lixo pelo fato deles não terem como lavá-las gerando assim impacto ambiental com mais lixo nas ruas.

Um dado curioso: em 2015, a prefeitura da cidade de São Paulo, fez um levantamento e descobriu que 5% da população em situação de rua tem CLT, quer dizer, trabalham, mas para diminuir o gasto de passagem ou porque o aluguel aumentou, transformaram as calçadas e marquises em suas “casas”.

E tem os que trabalham na informalidade com reciclagem e logística reversa. Estes garantem que uma parte do material reciclado não vá para os aterros sanitários.

Tem quem trabalhe com costura, os que fazem carreto, carga e descarrega mercadoria (caminhão) e até entregador de aplicativo de bicicleta.

O inverno que mudou a sua vida

Além da questão da higiene, o frio e a chuva é um outro tormento na vida dos moradores em situação de rua e isto despertou o inconformismo em Lucas Caldeira. Um homem com pouco mais de 30 anos, que traz no brilho dos seus olhos a vontade de se conectar com as pessoas por um mundo mais justo.

Tudo começou numa das noites frias de julho de 2013 em que Lucas sentiu dificuldade para dormir por conta do frio intenso. Na manhã seguinte, tomando café com sua mãe se deparou com a notícia da morte de 4 pessoas por causa do frio.

Naquela noite ele foi para as ruas com alguns voluntários, previamente convidados pelas redes sociais, para entender as pessoas em situação de rua e saber como elas conseguem sobreviver. A sementinha do projeto “Entrega por SP” começava a germinar.

Dois meses depois, este projeto mostrou que veio para ficar. Numa das ações do Entrega por SP, Lucas e os voluntários criaram um financiamento coletivo para distribuir  um kit de sobrevivência mais robusto nas ruas de Sampa contendo uma mochila e cobertor feitos de materiais recicláveis e luminosos para que sejam vistos literalmente, material de higiene, camisinha, água, biscoito e sanduíche.

Mas no geral, os kits contém escovas e pastas de dente, sabonete, papel higiênico, camisinha, água, sanduíche bolacha e par de meias.

Tudo conseguido através de doações e a entrega é sempre de madrugada, uma vez por semana, sem dia marcado, apenas os voluntários são informados previamente pelas redes sociais.

O cerne do projeto é mostrar que a convivência dos que têm casa com os moradores de rua é possível. E mensalmente Lucas procura atingir a meta de conversar com pelo menos  1200 pessoas em situação de rua entregando os kits, que são feitos através de doações.

Lucas 2c - Moradores em situação de rua de São Paulo ganharão lavanderia
Numa ação do Gas (Grupo de Atitude Social), Lucas e voluntárias conversam com um dos assistidos         Foto: Andy Costa

Em 2017, cerca de 26 mil pessoas em situação de rua foram atendidas  e mais de 4300 voluntários já passaram pelo projeto, que é apartidário e não religioso. Dessa ação de escutar as vozes das ruas, Lucas criou e preside o Instituto Ninho Social.

Segundo ele, o projeto o tornou uma pessoa mais humana, tolerante, mais ouvinte. Este movimento de levar mais dignidade à população em situação de rua acaba de ser ampliado com o projeto Lavanderia, que segundo Lucas, é uma luta pela dignidade diária.

Muito mais que uma lavanderia

Pode-se dizer que o “Projeto Lavanderia” é um filhote do “Entrega SP”, que recentemente ganhou um parceiro: a fabricante de máquinas de lavar Alliance Laundry Systems,que é líder no segmento de lavadoras e secadoras de roupas comerciais e industriais.

O Projeto Lavanderia está chancelado como projeto social alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. E recentemente a empresa Go Energy, também se juntou à esta ação social. Uma empresa que vende energia em suas diferentes formas de geração.

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Este projeto vem sendo formatado há dois anos, mas só agora em 2019 é que conseguiram um espaço ideal para abrigá-lo. A expectativa é que as obras não demorem tanto e que comece a funcionar no início de 2020, mas ainda não há uma previsão.

O espaço que o projeto conseguiu tem 500 metros quadrados e está localizado no bairro de Campos Elíseos, em São Paulo, onde também serão instalados contêineres com chuveiros e vestiários.

Inicialmente, a Alliance doou duas lavadoras-secadoras frontais conjugadas com capacidade para dez quilos e uma lavadora de carregamento superior com capacidade para lavar sete quilos e meio.

As instalações têm todo um compromisso com a sustentabilidade. As máquinas de lavar doadas pela Alliance Laundry Systems são industriais e gastam menos água e energia. Haverá também a captação de água da chuva em todos tetos e estação de tratamento para reuso da água, além das placas fotovoltaicas para diminuir o custo da conta de luz.

De acordo com Lucas, a lavanderia não será apenas um espaço para lavar e secar a roupa e tomar banho,  haverá também capacitação profissional, acompanhamento psicológico, advogados e assistentes sociais.

Fonte: Canal Incomodados, Awaken Talks

 

 

 

 

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