Na divulgação dos resultados de 2018 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, o IBGE afirma que 13 milhões de pessoas, com idade a partir de 14 anos, se dedicaram à produção para consumo próprio em pelo menos um ramo de atividade seja cultivo, criação de animais, produção de carvão ou corte de lenha, fabricação de produtos e construção – o que equivale a 7,7% da população. Em 2017, a média era de 7,3% e em 2016, de 6,3%. A dedicação ao cultivo, pesca, caça e criação de animais atingiu 76,7% dos entrevistados.

São pessoas que não são alfabetizadas ou com ensino fundamental incompleto. A atividade mais comum é relacionada à alimentação. Segundo Marina Águas, analista da pesquisa, o que leva as pessoas a cultivar e/ou criar algum animal não é necessariamente a subsistência, apesar de ser um fator importante. Pessoas com maior escolaridade e maior remuneração também se engajam nesta ocupação verde.

Hortelões urbanos

Tutoriais para transformar um terreno baldio numa horta ou cultivar tomates em garrafas pet é o que não faltam na rede, mas é o desejo de ter uma alimentação saudável, recuperar e/ou inserir atividades coletivas em praças que transformaram as hortas urbanas num fenômeno mundial de muito sucesso seja com subsídio do governo ou não. De acordo com a FAO, existem cerca de 800 milhões de pessoas envolvidas nesta prática.

Aqui pelo Brasil este movimento ganha força a cada ano. Na cidade do Rio de Janeiro o projeto da prefeitura Hortas Cariocas visa utilizar áreas próximas a comunidades carentes ou escolas municipais para o plantio de diversas culturas com a utilização de técnicas orgânicas e aproveitamento da mão-de-obra local em sistema de mutirão remunerado, mas sem vínculo empregatício. O colaborador recebe uma bolsa-auxílio.

As hortas ocupam terrenos em áreas públicas ou do município da cidade do Rio de Janeiro ou sob linhas de transmissão de energia.

Sobre a colheita dos produtos, 50% é destinada para as escolas da cidade do Rio de Janeiro, Creches Municipais e famílias carentes indicadas pela Associação de Moradores e os demais 50% são vendidos para gerar renda adicional e adquirir pequenos equipamentos a serem utilizados na própria horta. As pequenas plantações nas escolas fazem com que as crianças ensinem seus pais a se alimentar melhor, além disso, é um estímulo à tradição agrícola do estado.

A prefeitura fornece sementes, uniformes,equipamento de proteção individual, material para mão de obra no cultivo, equipamentos e fertilizantes orgânicos.

Em São Paulo o programa mostra a organização não governamental (ONG) Cidades sem Fome, que atua nas áreas mais vulneráveis da metrópole, também com esse propósito. Segundo o presidente da instituição, Hans Dieter, as hortas comunitárias têm um tripé de objetivos: “Utilizar o espaço urbano que não está sendo usado para nenhum fim específico, transformá-lo em polo de produção de alimentos e gerar oportunidade de trabalho e renda para a população.”

A lógica é produzir “mais com menos” explica o representante da Organização das Nações para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Gustavo Chianca: “Você utiliza recursos locais, pequenos espaços, usando menos água, menos espaço”.

Em Curitiba, as chefs Gabriela Carvalho e Manu Buffara investem e se dedicam a um projeto de horta urbana que garante alimentos frescos e orgânicos produzidos por famílias de produtores urbanos. As chefs são mentoras e orientam os agricultores sobre o cultivo dos alimentos. A produção da horta urbana do Rio Bonito, na Região Metropolitana de Curitiba, é integralmente comercializada com os restaurantes das cozinheiras e também consumida entre as famílias envolvidas no projeto.

A horta do Rio Bonito faz parte do Horta do Chef, projeto da Prefeitura de Curitiba, que foi lançado em março de 2017. Ao todo são 24 áreas cultivadas por 900 famílias de produtores urbanos. As hortas espalhadas pela capital paranaense garantem alimentos in natura saudáveis para as famílias e o cultivo serve como terapia e socialização, pois muitas pessoas vivem sozinhas.

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