Julho de 2019 se tornou um marco na Universidade Federal do Ceará por conta dos primeiros bacharéis em Economia Ecológica.

Até a criação do curso na Federal do Ceará, a economia ecológica era apenas uma disciplina da área de mestrado e/ou doutorado das Ciência Econômicas.

Em 2010, um grupo de economistas e professores da UFC, que seguem o pensamento de Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994), autor de “The Entropy and the Economic Process” (Entropia e Processo Econômico), decidiu criar um curso de extensão, com duração de 40 horas.

O resultado foi surpreendente, o curso teve mais de 400 inscrições e as dezenas de pedidos para que fosse transformado em pós-graduação ou mestrado encorajaram o grupo a pensar em ir mais longe.

Os professores acreditavam na importância de uma formação de base e criaram o primeiro, e até o momento único, curso de graduação em Economia Ecológica do mundo.

Mas o que vem a ser isso afinal? 

Desde a década de 60 e 70 no século 20, cientistas e ambientalistas criticavam os modos de produção, o sistema econômico e a exploração dos recursos naturais do planeta.

Economistas mais conscientes alertaram naquela época para o dia em que o crescimento econômico seria zero, pois crescer às custas da destruição de recursos naturais não renováveis seria inviável.

Batizado de Eco Eco, o curso, segundo um dos alunos, tem como característica principal a discussão ecológica e social, que de forma interdisciplinar é voltada para as pessoas e não para o dinheiro. É mais ampla, é sobre a vida. É compreender que o sistema ecológico é maior que o sistema econômico.

O programa pedagógico do curso foi rejeitado pelas Ciências Econômicas, pois se apresentava ousado demais para o departamento. A Eco Eco, então, ficou abrigada sob o guarda-chuva das Ciências Agrárias, que é conservadora quanto a economia tradicional.

Mão na massa

A partir do segundo semestre os alunos partem para o Trabalho de Campo Integrado, o TCI, disciplina obrigatória em que os alunos colocam em prática as teorias aprendidas em sala de aula. Eles saem de Fortaleza rumo ao interior para descobrir o Ceará.

“Às vezes, a gente é formado numa ciência de pedra, uma ciência dura, que nem entendemos por que estamos estudando aquilo, só muito mais tarde que se chega a uma discussão mais ampla, mais sensível. Aqui na Eco Eco, a base já é isso. A gente não vai aprender a jogar veneno para depois discutir se veneno é bom. A gente vai discutir primeiro e acima de tudo para que o veneno.”- diz Lúcio Alves, aluno de 21 anos do curso.

Um dos idealizadores do bacharelado, Flávio Sobral, critica os economistas tradicionais por acharem que as inovações tecnológicas resolverão os problemas ambientais.

“A economia tem um princípio básico que é o crescimento econômico. É uma incoerência ter um planeta com recursos limitados determinado por um crescimento econômico que se quer exponencial, em contradição com a própria biosfera”. – afirma.

Nem tudo são flores

Francisco Casimiro Filho, coordenador do curso de graduação em Economia Ecológica, agrônomo formado na UFC, com mestrado e doutorado em Economia Aplicada pela USP, precisa ser hábil para manter o curso em funcionamento com um número reduzido de docentes.

Muitos trabalham voluntariamente, movidos pela paixão de contribuir na formação de economistas que possam pensar um mundo que não seja só economia, sociedade ou consumismo.

Os professores querem formar economistas que pensem a ética da vida. “Recebemos alunos das Ciências Econômicas para fazer disciplinas optativas livres conosco e no semestre seguinte eles trocam de curso e migram para a economia ecológica”, conta o professor Casimiro.

Fonte: Projeto Colabora

 

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