O que todos querem é ter uma velhice tranquila com dignidade e bem-estar e seguindo o caminho do movimento anti-asilo, alguns estados brasileiros têm condomínios e repúblicas voltados exclusivamente para a população idosa. 

A faixa de preço desses condomínios é bem abrangente, alguns têm um preço proibitivo para a realidade dos nossos idosos com  mensalidades a partir de R$ 10.000,00.

Na falta de uma política pública do governo federal, coube aos estados e municípios a construção destes imóveis, que se espalham pelo país ainda que de modo muito tímido.

Para ocupar estas unidades, o idoso deve preencher certos requisitos como: idade a partir dos 60 anos, ter autonomia para morar sozinho e/ou com o cônjuge, ganhar uma aposentadoria e/ou renda de até dois salários-mínimos e não ter casa própria.

Os condomínios oferecem uma boa estrutura de lazer, segurança, horta e áreas para atividades físicas, além de receberem as visitas dos projetos ligados à saúde.

O pioneirismo paraibano

Criado em 2014, o programa “Cidade Madura” localizado em João Pessoa é tido como referência em moradia pública para idosos. Todas as unidades foram adaptadas de acordo com as normas de segurança como barras de apoio no banheiro, piso antiderrapante. 

Das 49 casas, a maioria dos idosos de baixa renda  mora sozinha, mas a socialização nas áreas em comum é intensa. Segundo uma das moradoras, grupos das universidades locais propõe uma série de atividades. As meninas botam todo mundo para dançar, fazem jogos, todo muito se diverte.– garante Daura Silva, uma senhora de 81 anos.

De acordo com os geriatras, este tipo de interação com pessoas de outras faixas etárias é importante, pois ameniza a característica de gueto composto por pessoas da mesma idade.

Desde a sua inauguração, este programa é muito bem visto pela opinião pública e a grande sacada do governo estadual foi transferir apenas o usufruto do imóvel ao idoso selecionado para que ele viva ali enquanto for independente.

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Atividades físicas sempre supervisionadas. Foto: Divulgação

No caso da perda da autonomia, a pessoa idosa é encaminhada pelo estado para uma instituição de longa permanência ou volta aos cuidados da família.

Os beneficiados pagam apenas a taxa de luz e água e podem morar o tempo que quiser ou até morrer. Em caso de morte o imóvel é cedido a outro idoso que esteja cadastrado no programa.

Este projeto se espalhou pelo estado da Paraíba com unidades nas cidades de: Campina Grande, Cajazeiras, Patos, Sousa e Guarabira, neste condomínio foram instaladas placas fotovoltaicas gerando uma grande economia na conta de luz e tem também sala de informática. Em breve será iniciada a construção do Cidade Madura, em Monteiro.

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O projeto paraibano ganhou fama e atraiu a equipe técnica da Companhia de Habitação do Paraná e da Prefeitura de Jaguariaíva, que criaram o Programa Viver Mais Paraná 

O Paraná também aderiu

No Viver Mais Paraná foram replicados vários elementos do Cidade Madura, como a exclusividade no atendimento para pessoas com mais de 60 anos, em caráter de aluguel social, além dos itens estruturais, como 40 moradias por condomínios horizontais, com praças, hortas comunitárias e academias ao ar livre, entre outros. 

A execução das obras dos empreendimentos é realizada por construtoras contratadas pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) via licitação, com recursos do governo estadual em áreas doadas pelos municípios ou adquiridas pela companhia. 

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40 moradias para idosos, além de infraestrutura completa de saúde, assistência social e lazer. Foto: Divulgação

Os beneficiários pagam um aluguel equivalente a 15% de um salário mínimo ao mês, com a opção de residirem no local pelo tempo que desejarem. Os valores arrecadados são reinvestidos na política habitacional do estado, inclusive com a construção de novos empreendimentos desta modalidade.

Podem participar do processo pessoas sozinhas ou casais com idade superior a 60 anos, renda mensal de um a seis salários mínimos e que não possuam imóvel em sua propriedade. Para a contratação, a Cohapar também realiza a análise socioeconômica e consulta de cadastros negativos.

O programa existe também nas cidades de Foz do Iguaçu e Cascavel. Para maiores informações o telefone é: (45) 3333-1100 e o atendimento é prestado de segunda à sexta-feira, das 13h às 17h. Há também o site www.cohapar.pr.gov.br

Uma construção que atravessou vários governos

Em São Paulo, no bairro do Pari, a Vila dos Idosos enfrentou uma longa saga até ficar pronta. De acordo com Olga Luisa León de Quiroga, presidente do Grupo de Articulação para a Moradia do Idoso na Capital (Garmic), a prefeitura cedeu o terreno, que era usado anteriormente para ensaio de uma escola de samba.

As negociações, que começaram na gestão da prefeita Marta Suplicy (PT à época), atravessaram o mandato de José Serra (PSDB) e só foram concluídas no governo de Gilberto Kassab (PSD). A obra, que custou R$ 4,7 milhões em 2007, recebeu idosos de diversos bairros.

São 57 apartamentos de 42m² e um dormitório, além de 88 quitinetes de 30m². O perfil dos moradores também se enquadra na faixa de renda entre um a três salários mínimos. No projeto paulista, os inquilinos pagam 10% do seu salário e uma taxa de manutenção de R$ 35,00, que ajuda na manutenção dos elevadores, da academia de ginástica e da segurança 24 horas.

Nem todas as unidades são adaptadas para a segurança dos idosos. Os próprios moradores têm que arcar com a obra.

A expectativa para construção de novos empreendimentos para idosos é grande, segundo Olga Luísa do Grupo de Articulação para a Moradia do Idoso na Capital (Garmic), mas o governo ainda não sinalizou mudança no cenário e a fila de espera aumenta, são mais de 500 nomes esperando por uma vaga. A lista é gerenciada pelo Garmic em parceria com a Cohab, que estuda a identificação de novos locais para a instalação de projetos como a Vila dos Idosos.

Vila Dignidade

Este é um projeto criado em 2009, numa parceria entre a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), secretarias e prefeituras de municípios paulistas como Ribeirão Preto, Avaré e Mogi das Cruzes e também é voltado para idosos independentes e de baixa renda.

Além dos itens de acessibilidade, as casas possuem o “botão do pânico” no banheiro e no quarto para ser acionado quando o morador sofre algum acidente doméstico. Na unidade de Avaré, a vila ainda possui um posto do Acessa SP com acesso à internet e monitores para promover a inclusão digital dos residentes.

No caso da unidade de Mogi das Cruzes, a vila é acessível, e caso algum idoso necessite de cuidados por problemas de saúde, estará sob responsabilidade da Prefeitura e será transferido para alguma unidade de saúde do município que possua cuidadores.

A creche da vovó

Nos moldes das escolas infantis, o pessoal da terceira idade se diverte em espaços cheios de atividades.

Espalhadas por alguns bairros da cidade do Rio de Janeiro, estas creches recebem pessoas acima dos 60 anos e há opções para todos os bolsos, inclusive gratuitos.

Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) realizada pelo IBGE em 2016, o Rio de Janeiro apareceu como o estado brasileiro com a maior parcela de pessoas acima dos 60 anos . Enquanto a chamada terceira idade representa 14,4% dos habitantes em todo o país, no Rio a porcentagem salta para 18,7%. Na capital, cálculos da prefeitura estimam que esse recorte seja de 16%. 

A medida que a cidade envelhece, é natural que haja a oferta deste tipo de serviço.

A gerontóloga e terapeuta familiar Patrícia Elman é a idealizadora da Casa do Bosque, que funciona de segunda à sexta das 8:00 às 18:00 no Itanhangá, zona oeste do Rio. A casa oferece outras opções, que você pode ver aqui 

“Nosso objetivo é empoderar os idosos,entreter promovendo o envelhecimento saudável com desenvolvimento cognitivo, tirar eles da frente da televisão.”- afirma

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Frequentadores da Vila Marina num passeio ao Museu do Amanhã. Foto: Divulgação

Este sistema tem se mostrado uma boa opção, já que trabalha com esquema de diária, como é o caso de Dona Maria Carmem Affonso de 81 anos que frequenta o espaço Vila Marina no bairro de Vila Isabel uma vez por semana.

Segundo sua filha, Dona Maria Carmem relutou no início, mas hoje ama o local e sempre vai aos passeios promovidos pelo espaço..

Para conhecer mais detalhes clique aqui

Quem não pode pagar, existem algumas opções gratuitas espalhadas pelos bairros da Gávea, Lagoa, Botafogo,Santíssimo, São Conrado, Penha e Tijuca. São as Casas de Convivência e Lazer que funcionam de segunda à sexta das 08:00 às 17:00.

Estes espaços atendem até 600 idosos por dia que se agitam nas aulas de pilates, dança cigana, inglês e tai chi chuan.

Clique no link para ver os endereços e saber mais informações.

Fonte: Veja Rio, Governo da Paraíba, Governo do Paraná

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