Desde a década de 60 elas vêm conquistando espaço. Feministas ou não, o mercado editorial não pode ignorar a força que as mulheres escritoras têm e nos dias de hoje os clubes de leitura que analisam suas obras estão se espalhando pelo Brasil.

Ao entrar em qualquer livraria os nomes Bell Hooks, Djamila Ribeiro e Angela Davis estão expostos em destaque. Se a quantidade de títulos de escritoras aumentou é porque a procura aumentou substancialmente.

Elisa Ventura, dona e fundadora da livraria Blooks, que investe no recorte de gênero e raça desde a sua fundação diz que existe um público interessado, atuante. Ela acrescenta que sempre teve um espaço para livros com esse recorte e isso facilita a percepção de que o número de publicações de uns anos para cá cresceu muito.

“Feminismo e gênero não são assuntos que estão na moda. São pautas. As pessoas estão entendendo a importância de discutir sobre isso. Os jovens, que antes não frequentavam livrarias, estão lá buscando esses títulos, participando dos eventos, sendo ativos.”-diz Elisa.

Em quatro anos, 3000 livros lidos

Estes são os dados do clube de leitura “Leia Mulheres“, que com quatro anos de existência está presente em 120 cidade brasileiras. Com reuniões mensais com cerca de 20 participantes cada, o clube seleciona autoras dos mais variados países e gêneros literários. As escritoras independentes também têm espaço na lista de leitura. O “Leia Mulheres” faz, inclusive, parceria com algumas editoras.

Michelle Henriques, coordenadora e mediadora do clube diz que usa as redes sociais como expansão do clube e sempre recebe pedidos de outros lugares para a criação do clube.

Tranças Literárias” foi criado pela médica Alícia Oliveira que juntou 15 amigas para compartilhar o interesse de discutir assuntos pertinentes às mulheres. Ela criou um grupo no WhatsApp para escolher um título literário e combinar um encontro para discussão. Com apenas dois meses de existência, o grupo cresceu e já conta com 48 participantes.

Para Alícia, já que as pessoas se juntam para ver série, filme… Por que não se reunir para falar sobre livros? As reuniões são regadas a vinho e lanchinhos.

Autoras lésbicas e bisexuais

O “Lesbos” se dedica à leitura de obras escritas por mulheres lésbicas ou bi ou que narrem histórias de personagens lésbicos e tem se destacado no cenário dos clubes de leitura. Fundado em 2017 por Lídia Bizio e Sol Guiné, o grupo realiza reuniões mensais e já está presente em três cidades: São Paulo, Salvador e Curitiba.

Lídia ressalta que as mulheres que participam do “Lesbos” se sentem confortáveis e satisfeitas por terem um espaço para conversar sobre a vida, sobre as suas histórias. Essa dinâmica do “vamos sentar e conversar”, ser ouvida, compreendida, tudo num espaço seguro, é muito importante .

Fonte: O Globo

 

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