Quando o assunto é competitividade, nós homens, somos exemplos torpes do que é ser competitivo no sentido helênico ou olímpico, que é um tanto romantizado. Somos seres que vangloriamos o quanto somos férteis ou poderosos.

Em discussões dentro de  bares, em casa ou qualquer lugar em que possamos reunir pessoas, o pior resultado que pode acontecer é satisfazer o ego e anular qualquer opinião oposta. 

Este tipo de competição em que é necessário ser unânime, deliberativo empobrece as relações sociais, a democracia.

O artigo “A democracia comunicativa de Young como complemento à democracia deliberativa de Habermas”, dos autores Franscisco Josivan Guedes de Lima e Emil Albert Sobottka, é um estudo teórico feito como exemplo perfeito de cooperação.

Ele une duas correntes teóricas distintas a respeito de formato de democracia e sugere trabalharem juntas a fim de solucionar problemas mútuos. 

No caso da democracia deliberativa, os problemas advindos daqueles que não se enquadram ao discurso atual seja por falta de acesso aos protocolos sociais ou questões culturais são negligenciados.

Todo ataque gera um contra-ataque e nesse ciclo-vicioso as coisas importantes perdem-se, não há ação, não há melhora significativa. 

Unir um grupo de pessoas e realizar um feito em prol de uma mudança positiva sempre é válido e mobilizar é a palavra-chave para o sucesso. 

Ser um exemplo e abrir mão de algum privilégio, admitir erros, reduzir o lucro… muita das vezes precisa de um passo inicial entre os divergentes, aí que entra a anulação de nossos egos, ou pelo menos a tentativa disso. 

Numa linha semelhante, Paul Collier, professor de Economia e Políticas Públicas da Universidade de Oxford, em seu livro “O futuro do capitalismo”, destaca que duas ameaças podem desestruturar o sistema capitalista.

Uma é social e a outra é geográfica. Na social , vemos o abismo entre as classes sociais crescer cada vez mais e na geográfica, as cidades vão se tornando menos atrativas, quase fantasmas quando as atividades econômicas se mudam para outro lugar mais vantajoso economicamente.

Na sua obra, Collier apela para a renovação do conceito de comunidade, que foi sucumbido pelo individualismo. Para contrapor os discursos nacionalistas excludentes, ele defende o pertencimento compartilhado.

“Estamos num momento em que parece que só o Estado tem obrigações, os cidadãos não, e o Estado é um ator muito fraco, sem uma ideia de comunidade forte, Vemos essa questão agora com o coronavírus: uma sociedade forte é aquela que se baseia em obrigações mútuas, recíprocas. Tem que ser inclusiva, mas também estabelecer obrigações recíprocas entre seus membros”.

Beijos de luz  

Felipe Durán – graduando de Letras na UFGD (MS), poeta e colunista da Revista Ecos da Paz.

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