Quantas vezes não olhamos para o nosso passado como um vilão? Mas ele não é e nem deve ser olhado com desprezo, pelo contrário. O passado me fez o que eu sou. Cada experiência foi enriquecedora.

O problema não é o passado em si, mas é ver-se como vítima dele porque não consegue aceitá-lo. Nada se pode fazer para alterá-lo, já aconteceu. E a pior coisa é quando nos ressentimos do que fizemos e nos apegamos à uma autocrítica sem fim.

Uma coisa é entender o nosso passado, e outra bem diferente, é estarmos livres de ressentimentos e raiva em relação à ele. Na busca deste entendimento, a oração tem um papel fundamental pois nela há a entrega . 

O resultado de uma oração é chamado de graça e nós criamos a graça. Não podemos esperar que ela venha até nós, mas a invocamos pela prece. O ato de rezar também produz um resultado, porque há na entrega um reconhecimento da nossa própria impotência.

Se entendo que não posso mudar o passado, por que tanta raiva? Por que me odeio? Por que tanta autocrítica? Somo impotentes em relação à isto. Nesse reconhecimento da impotência e na capacidade de rezar estão meu esforço e minha determinação.

Deve-se ver a beleza da prece. Não existe nenhuma meditação, nenhum ritual sem oração. Não há nenhuma técnica que possa substituí-la, porque em qualquer técnica a vontade é mantida, nos submetemos voluntariamente. Essa entrega realiza o milagre. Na entrega há uma aceitação, a aceitação do passado.

Não podemos lutar contra uma mente autocrítica, mas aceitá-la. Quando se aceita o passado, também aceitamos as suas consequências sem medos e sem sermos reféns dos sentimentos causados por nossos atos.

Fonte: Livro “Orações e Meditações ao Amanhecer” – Swami Dayananda Saraswati, Editora Vidya Mandir, 2001

 

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