“Arte é a expressão mais pura que há para a demonstração do inconsciente de cada um. É a liberdade de expressão, é sensibilidade, criatividade, é vida.” A frase foi dita pelo psicólogo Carl Jung em 1920.

A arte é milenar e sempre impactou, provocou e sensibilizou a humanidade através dos tempos. E é através da arte que muitas vezes o ser humano busca se expressar, inclusive o seu desejo de liberdade.

Nem todos tem a facilidade de lidar com seus sentimentos e traumas, junta-se à isso as pressões da sociedade, frustrações por não atingir as metas pessoais para atingir o sucesso, não cumprir as expectativas da família e o resultado é uma legião de estressados, ansiosos e depressivos.

Por conta disso, o uso de remédios controlados cresceu bastante desde meados da década de 2000, principalmente entre os jovens.

A arte que desintoxica

Mesmo sendo fundamentada em referenciais teóricos da psicanálise, da psicologia analítica, entre outros, a arteterapia chama atenção pelo fator lúdico  e é uma solução bem mais criativa, literalmente.

O conceito de arteterapia surgiu em meados do século XIX , pelo médico e psicólogo alemão Johann Christian Reil, que descreveu e sistematizou os principais benefícios do tratamento.

Avançando na linha do tempo, o psicólogo suíço Carl Gustav Jung, se tornou um grande entusiasta da prática no início do século XX. Sua abordagem, chamada de junguiana, tem o objetivo de fazer com que o indivíduo entre em contato com conteúdos do seu inconsciente e logo após, ao integrá-los à consciência, eles possam ser transportados para a vida.

A arteterapia junguiana inspirou o trabalho da psiquiatra brasileira Nise da Silveira, que em 1946 criou no Centro Psiquiátrico Nacional na cidade do Rio de Janeiro, a Seção de Terapêutica Ocupacional.

A produção dos atêliês foi tão grande que em 1952 foi criado o Museu de Imagens do Inconsciente.

Este tipo de terapia chegou ao Brasil na década de 20 do século 20 por meio de Ulysses Pernambucano. Com o pioneirismo do psiquiatra brasileiro, a Arteterapia começou a se desenvolver, tornando-se parte de diversos campos e com a criação de associação própria, a União Brasileira das Associações de Arteterapia (UBAAT), que determina critérios mínimos que guiam a formação de profissionais na área.

O uso da arte para uma vida saudável

A arte é um meio de comunicação. É uma forma ilimitada de expressão que nos permite acessar campos adormecidos da psique. Este acesso é feito com as mais variadas técnicas artísticas, que traz a tona representações simbólicas das emoções, as quais serão interpretadas.

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Encontrar uma maneira de extravasar diante de uma tela em branco. Foto: Bridges Ward/Pixabay

Quando o indivíduo consegue externar suas emoções tendo a arte como sua facilitadora, ele entra em contato com seu potencial criativo, neste momento ele acessa os aspectos saudáveis da sua psique estimulando a autonomia e transformação interna para reestruturação do ser.

A arte nos dá a oportunidade do autoconhecimento, a expressão e o enfrentamento da dor com mais serenidade, por outro lado auxilia a diminuir os níveis de tensão, estresse emocional e físico, tristezas, angústias e ansiedade, promove a estabilidade de doenças crônicas.

A brincadeira que é coisa séria

Para crianças e adolescentes, desenhar, pintar, lidar com trabalhos manuais é um grande estímulo para a fantasia e a imaginação, potencializa a capacidade intelectual, além disso, através da arteterapia se consegue acessar as emoções e traumas escondidos no inconsciente.

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A arteterapia cuida não só do emocional das crianças como também estimula o intelecto.                                Foto: Aline Ponce/Pixabay

Os materiais concretos (tintas, papéis, argila, lápis) ajudam no processo terapêutico, promovem a elaboração do conteúdo interno, a história pessoal do adolescente ou criança, que será interpretada. O arteterapeuta mergulha neste espaço simbólico para agir sobre a realidade.

Expressar-se através da arte é a forma mais direta de acessar o universo emocional, não há a racionalização, a “medição das palavras” do discurso verbal.

Os doentes ilustres

O uso da arte no tratamento de doentes mentais graves teve grande avanços desde a criação do Museu do Inconsciente por Nise da Silveira. É através dela que tantos os profissionais de saúde quanto os usuários atingiram o tratamento terapêutico.

De acordo com os profissionais do ramo, não se deve reduzir os pacientes à um diagnóstico.

A arte amplifica e desconstrói paradigmas e ainda pode revelar grandes artistas, como no caso de Emygdio de Barros,  que desde criança revelou uma grande habilidade manual e Bispo do Rosário, cujo acervo concentra uma das maiores produções artíticas do Brasil.

Nise da Silveira e a arteterapia apresentaram ao mundo muitas possibilidades quando se permite que pessoas em sofrimento psíquico existam em sua natureza.

Fontes: Fazer Aqui, Pebmed

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Viver em harmonia é possível quando abrimos o coração e a mente para empatia e o amor.