Augusto Cury é psiquiatra, psicoterapeuta e pós-graduado em psicologia social. Sua Teoria da Psicologia Multifocal foi desenvolvida por mais de vinte anos e é uma das poucas teorias mundiais que estuda o funcionamento da mente associado ao processo de construção de pensamentos.

No texto a seguir, Cury oferece a possibilidade de ficarmos na superfície ou penetrarmos nas camadas mais profundas da nossa mente para formarmos um “EU” interior saudável, sensível e inteligente.

A ARTE DE SE INTERIORIZAR

Interiorizar-se é voltar-se para dentro de si. É percorrer as ruas e avenidas do próprio ser. A maioria das pessoas fica na superfície do seu psiquismo porque não treina se interiorizar.

Não entra em camadas mais profundas e, quando entra, sofre por antecipação, resgata culpas, se angustia com um pessimismo. É vítima de uma introspecção mórbida. Isso não é se interiorizar, é se punir.

Interiorizar-se é uma habilidade que, se o Eu desenvolver, circulará com mais desenvoltura no escuro da memória e garimpará com mais eficiência e rapidez as experiências mais nobres que possui.

Todos temos um rico estoque de experiências espalhadas por grandes áreas do córtex cerebral, mas não as acessamos nos focos de tensão. Repetimos os mesmos erros como se nunca tivéssemos passado por dificuldades.

Se o Eu fosse educado para utilizar a capacidade de se interiorizar como instrumento de navegação para circular na cidade da memória, seria possível desenvolver um raciocínio muito mais brilhante do que normalmente se tem.

Grande parte das pessoas que apresentam comportamentos arrogantes, reativos, compulsivos, ansiosos têm aporte de experiências para desenvolver raciocínios surpreendentes. Por que não desenvolvem? Por que seu Eu é um péssimo navegante nas águas psíquicas, não sabe se interiorizar. É um especialista em se exteriorizar.

O Eu com essa especialidade, como comentei, se vicia em determinados circuitos cerebrais e age instintiva e estupidamente. É fundamental que o Eu, se quiser desenvolver a autoconsciência, use sistematicamente a técnica “ser fiel a si mesmo”, caso contrário, será escravo desses circuitos cerebrais viciosos. Como se realiza essa técnica?

Primeiro, superando a ditadura da resposta: não reagir impulsivamente, rebater, contradizer, dar o troco. Usar a barreira da consciência virtual para se proteger.

Segundo, consultando-se, fazendo um stop introspectivo, mergulhando dentro de si para encontrar respostas inteligentes. Terceiro, nesta caminhada interior, bombardear-se com a arte da pergunta.

Deveria ser feito o máximo de perguntas num curto espaço de segundos: Quem sou? Quem o outro é? Por que estou comprando sua ofensa? Quais são as experiências que eu tenho? Que alternativas possuo? As perguntas, como vimos, ajudam no processo de se interiorizar e abrir as janelas da memória.

Não é o tamanho da memória ou a genialidade genética que determinará a eficiência da sua utilização, mas a maneira como o Eu se interioriza e explora as memórias.

Augusto Cury, “A arte de se interiorizar” do livro A fascinante construção do Eu, Editora Planeta, São Paulo 2011

Foto: Nicola Giordano / Pixabay

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